quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Indicações

Preciso fazer duas indicações para as pessoas que apreciam a boa arte.

1. Roberta Sá


Faz muito tempo que acompanho a obra desta moça, tenho os três cds. Há tempos esperava um show dela ansiosamente. E foi simplesmente divino: a combinação da voz perfeita com a graciosidade da moça é de uma beleza rara. Portanto, fica a dica. Não percam a oportunidade de assistir a um show dela.

2. Dois Irmãos, de Milton Hatoum


O livro é de uma intensidade profunda. E o autor, bom, esse nem se fala. Dividiu uma mesa literária na FLIP deste ano com Chico Buarque, por aí dá pra ter ideia da qualidade da literatura que ele faz. Para quem não o conhece, indico também o romance Cinzas do Norte.

A frase de efeito de Dois Irmãos:

Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos.

Leiam e comentem depois. ;)

Um ótimo natal a vocês, meus queridos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dos dogmas

Fotografia de Ellen von Unwerth

Quem disse que mulher tem que gostar de rosa, ser doce, esperar pela iniciativa dos homens e ser sexy o tempo todo? Quem disse que tem que ser comedida, boa amiga, boa namorada e boa filha? Gargalhar alto é vulgar, partir pra cima é vulgar, se insinuar é vulgar. Viremos todas freiras ou donas de casa frustradas e entediadas.

Calcanhotto é que está certa em não gostar do bom gosto, nem do bom senso e ainda menos dos bons modos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Reflexão de quinta

O Almoço dos Remadores, de Renoir.

Nunca me enquadrei muito em padrões, por diversos motivos que dependem ou não da minha vontade. Estou longe de ter uma silhueta anoréxica, meus cabelos são e continuarão a ser cacheados, uso salto alto com a mesma frequência que vou ao salão de beleza, não páro de me meter em cursos, mas não sou estudiosa, detesto boates, odeio a palavra balada, não gosto de homens malhados, nem de ganhar joias de presente, detesto fazer compras, odeio calor e praia só quando o dia está nublado, não gosto de comédias românticas, não sonho em ser mãe, nem pinto o cabelo. Diante disso, às vezes me sinto em preto e branco numa fotografia colorida. Por outro lado, me vejo dentro de um quadro de Renoir e me sinto confortável e pensativa como a garota do copo d'água que tanto intriga Amélie Poulain. Ela não está no quadro.

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Em 21 de outubro o Fragmentos fez 2 anos. Confesso que pensei que ele não ia durar nem 1 ano, imagina 2. Que bom que me enganei. :)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Praia dos arredores de Arraial do Cabo - RJ
Imaginou como seria bom uma ilha deserta sem preocupações, pessoas, barulhos, contas a pagar... o encantamento durou alguns poucos segundos e pensou: bom mesmo é ter uma ilha deserta e um barco. Pra voltar pra casa e pros problemas quando der vontade.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sabia-se sozinha. Isso a acalmava e apavorava. Olhava para o homem dormindo ao seu lado e o via desbotar numa fotografia manchada, velha e sem cor. Assim fora com todos os outros. Não queria ilusões. Usava-os e mandava embora. Sempre fora assim. Preferia não saber telefones, estado civil, cerveja preferida. Aquele, porém, parecia diferente. Não roncava, ressonava. Aquele ruído parecia um mantra. Colocou sua cabeça sobre o ombro do desconhecido e dormiu. Profundamente.

Despertou com o barulho do chuveiro sendo ligado. A porta aberta dava uma visão privilegiada para aquela silhueta. Saiu com os sapatos na mão, sem bater a porta. A ideia da intimidade a desesperou. Correu vigorosamente em ziguezague, cortando ruas e quadras que não conhecia e só parou quando teve certeza de não saber voltar.

Seguiu com um sorriso doído e os olhos carregados de tristeza.

sábado, 17 de outubro de 2009

- Feche a porta quando sair.
- Mas eu volto já.
- Não importa.
- ...
- Não gosto de portas entreabertas. Quando voltar, bata. Eu decido se ainda quero que entre.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ele


Ele é o terceiro de Terezinha, do Chico. Aquele que chega sorrateiro e toma seu lugar feito um posseiro. Sabe dizer coisas bonitas quando deve. Sabe abrir a porta do carro de vez em quando, porque sempre é irritante. Não sabe consolar com palavras, mas seu abraço parece fazer parar o mundo. A risada gostosa esconde uma tristeza crônica que coexiste pacificamente com os outros sentimentos. Não tem tempo para nada, mas sempre dá um jeito de telefonar para dizer que está com saudades. Joga até hoje na minha cara que gastou uma fortuna com telefone para me convencer a marcar um encontro. Ele não aguenta quatro sessões seguidas de cinema, não gosta muito de drama, mas sempre assiste comigo. Amanhã faremos um ano de namoro e mesmo com tantas diferenças, seguimos. Parabéns para nós. Eu te amo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Desfaleceu.
No leito de morte, lembrou o que sua mãe dissera:

- Ninguém morre de amor, filha!

Que mentira deslavada. Morreu. De amor. Com um sorriso nos lábios e o coração na mão.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Depois daquela notícia tudo a deixava feliz. Até a piadinha cretina que o flanelinha fazia diariamente a deixava com um sorriso no rosto. Os olhos viraram estrelas. O sorriso era crônico. Ela não conseguia disfarçar. Ela queria contagiar o mundo. Acabar com as guerras, as separações, os acidentes. Sem perdas. Não hoje. Por onde ela passava, a paisagem se coloria.

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Querem saber qual a notícia? Perguntem a ela: Mosaico
Ela vai me matar, eu sei.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Entrelinhas

- Você está especialmente linda hoje.

(Não quero mais mãos dadas. Nem flores. Nada de jantares românticos. Nem luz de velas. Não conheça minha família, nem me abra a porta do carro. Sem gentilezas, por favor. Não venha perfumado. Decida você mesmo o que vai pedir para o jantar, ao menos uma vez. Seja autoritário. Grosseiro. Mande em mim. Utilize as velas outrora usadas para forjar um clima de romance para me fazer sentir dor. Mostre a que veio. Pare de representar. Guarde suas meia-verdades para mulheres que gostam de joguinhos. Não me leve ao cinema. Seja honesto. Leve-me a um motel barato e faça o que teve vontade de fazer desde que me viu pela primeira vez. Não diga que sou mulher para casar. Não me peça em casamento. Não peça meu telefone. Apenas faça o que veio fazer e feche a porta quando sair.)

- Ah... obrigada.