Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Diário de viagem I

Foram dezesseis dias de, modéstia à parte, merecidas férias. Abaixo alguns registros fotográficos e comentários.

Rio de Janeiro

Copacabana continua sendo a princesinha do mar.

Vista do Forte de Copacabana.

Nenhum leitor resiste a essa visita.

Paraty
FLIP 2009

Uma das primeiras imagens. Impossível não ser inesquecível.

A imagem clássica.

A Tenda dos Autores. A primeira: Domingos de Oliveira e Rodrigo Lacerda.

O arlequim. Um espetáculo paralelo. Anda pelos bares e restaurantes recitando poemas e distribuindo peixinhos de papel.

A arquitetura.

A cachoeira do caminho tortuoso.


Ruth Rocha, Cony e Ana Lee na Flipinha. O palco mais lindo de todos.

O restaurante mais antigo de Paraty.

O inacessível.

Passei a Flip inteira me perguntando para onde ele estava olhando.

Conversando com os paritienses.

O centro histórico e seu piso nada gentil. Torci o meu pé 45564463478674546885 vezes.

Praia do Meio. Trindade. O paraíso escondido.

Mensagem aos que hesitaram em ir este ano à FLIP:

A FLIP não poderia ter outro nome, é realmente uma festa. No sentido mais positivo que possa haver. Há inúmeras programações paralelas. É uma efervescência de cultura e arte que só sabe quem esteve lá. Eu também achava que imaginava como era. Mas é muuuito melhor. Acreditem. Vale muito a pena. Estou no projeto de ir todos os anos. Alguém me acompanha???

** Em breve o Diário de Viagem II.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Frase do dia:

"Há sempre algo de ausente que me atormenta"
(Camille Claudel)

E quem nunca se sentiu assim, que atire a primeira pedra.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Festa Literária Internacional de Paraty 2009, EU VOU!


Depois de tantos anos com água na boca e tendo que me contentar com as notícias sobre a FLIP, decidi me dar de presente uma semana de cultura e pessoas interessantes. Estarei em Paraty extasiada com a presença ilustre de Chico Buarque, Milton Hatoum, Richard Dawkins, Xinran e outros.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Pós-scriptum

Quando eu perder a capacidade de enxergar animais em nuvens, espelhos em poças d'água, poesia no trem fantasma e me emocionar com casais apaixonados que se olham com ardor numa parada de ônibus, posso fenecer. A propósito, quero ser cremada e que minhas cinzas sejam atiradas sobre o Rio Sena ou, ainda, que me seja construído um mausoléu e me faça companhia um anão viajante que traga notícias do mundo para me alegrar.

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Dos sadomasoquismos cotidianos

Carregava o peso do mundo nas costas. Culpas, mágoas, dores e feridas não curadas. Quem a via, com um sorriso crônico no rosto e a gargalhada assustadoramente sonora, podia imaginar as noites mal dormidas, os recalques, a amargura. A amargura que contaminava seu sorriso e fervilhava em seus olhos. Olhos atentos perceberiam. Os não tão atentos também notariam. Mas quantos olhos dos doze bilhões existentes no mundo realmente se importam? Quantos se detêm por mais de dois segundos sobre um estranho sem que seja por distração? Os sentimentos mal sentidos a sufocavam como um espartilho três números menor. Não se acostumava. Não se convencia. Não se perdoava. Queria o mundo inteiro infeliz. Só para se sentir menos sozinha. A felicidade monótona a irritava. Estrangulava sua calma. Não acreditava naquilo. Atores, todos uns falsos! Náuseas. Era o que sentia diante daqueles homens abrindo a porta do carro, puxando a cadeira e pagando a conta. Olhava para o lado e só via vidas de vidro. Frágeis. Ela sim era forte. Ela... que passara por tudo e ainda conseguia sorrir. Ela se bastava. Não precisava de ninguém para nada... a não ser para afrouxar as fitas do espartilho. Mas isso... isso ninguém queria fazer. Compaixão é uma virtude. E é sempre bom ter alguém para exercitar a piedade.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Do cotidiano

Dalн from the Back Painting Gala from the Back Eternalized by Six Virtual Corneas Provisionally Reflected in Six Real Mirrors (unfinished), Salvador Dalí (1972-73).

Os rostos nas ruas pareciam iguais. As vozes de telemarketing. O trânsito infernal. Os problemas motivando o mau humor. A falta de disposição que tornava os dias improdutivos. O sono inadiável. O tédio. Os dias repetidos. A rotina devorando-a. Pensava nisso tudo enquanto o sinal não abria. Olhou distraidamente para o lado e viu uma criança sem cabelos, diante de uma casa de ajuda a crianças com câncer. Soltava gargalhadas tão sonoras que ela abriu os vidros do carro para ouvir melhor. A alegria daquela menina era contagiante. O pai, segurando sua mão, tinha um ar triste, mas ela conseguiu fazê-lo sorrir fazendo-lhe cócegas. Despertou do transe quando as buzinas soaram. Arrancou e foi trabalhar com um sorriso no rosto. Achando o dia chuvoso bonito e ligando para uma amiga de longe apenas para dizer que tinha saudades.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009


Enfim o Fórum Social Mundial visita a Amazônia. Belém está em festa. Estrangeiros por todos os lados. Uma verdadeira Torre de Babel. Línguas irreconhecíveis. Programação cultural extensa e diversificada. Vozes do mundo inteiro. Um mar de sotaques e estilos. Hotéis com vagas só pro dia 2. Árabes me dando sorrisos familiares. (Alguém diz a eles que eu não sou árabe, só pareço!) Mesas em restaurantes só com reserva. Cerca de 80.000 pessoas a mais circulando por todos os cantos da cidade. Diversão garantida. Venham! Ainda dá tempo. ;)

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Ainda refletindo

Nas últimas semanas tenho andado pensativa. E quanto mais eu leio e reflito, mais entendo que a vida tem um prazer sádico em dificultar as coisas. O amor não é e nunca será suficiente para sustentar uma relação. O que é periférico ao sentimento tem um poder muito maior de estragar tudo do que o amor de manter. Vejamos a literatura: quantos casais se desfizeram por motivos externos à vontade? Quantos teriam continuado juntos se o amor fosse suficiente? Romeu e Julieta, Fermina Daza e Florentino Ariza (que só ficaram juntos depois de cinquenta e três anos, sete meses e onze dias), sem citar os pares da mitologia. É evidente que estou falando de ficção, mas olhemos a realidade e vejamos o que muda. Na minha opinião, nada. A falta de sintonia é o mal do século.

************

O Fragmentos fez aniversário em 21 de outubro. Um ano de vida. :) A minha anda tão corrida que nem lembrei. Mas fico feliz mesmo assim.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Só a arte é eterna

Cutlet and Match - The Chinese Crab - 1983 (Salvador Dalí)

Os amigos somem. Os familiares morrem. Os amores acabam. Mas uma música sempre nos tocará. Um espetáculo teatral nos fará gargalhar ou cair em prantos. Um quadro nos deixará pensativos. Um livro virará citação para qualquer circunstância. Um filme virará o de nossa vida. Só a arte se eterniza em nossas almas. E somente ela merece exclusividade e dedicação.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Para uma noite chuvosa

Study of Nude, de Salvador Dalí (1925)

Já não se reconhecia. Havia desembrutecido. E isso a incomodava. Profundamente. Nem tão água mole, nem tão pedra dura. Preferia assim. No entanto, desfazia-se entre os dedos dele quando a tocava e a atravessava com aqueles olhos cor castanho-pedido-de-casamento. Sabia-se incapaz de resistir. E isso a aterrorizava. Sempre detestara a vulnerabilidade e de repente se sentia à mercê de qualquer romantismo piegas e clichê. Tão óbvio e previsível. Alguém já disse que não há carta de amor original. Os apaixonados são também mímese de amores dos quais foram voyeurs. E o ciclo não se fecha nunca.

*****

Hoje faz 46 anos da morte de Mário Faustino, o poeta dos presságios e das belas metáforas. Aqui fica um poema para os amantes da boa poesia.

O MÊS PRESENTE
(Mário Faustino)

Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nascem mudas
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre homens nus ao sul de luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de cristo preso, |
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
A força do suor de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio.
Amen, amen vos digo, tem domínio.
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.